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LEÓN FREIDA SZKLAROWSKY

 

                                             LEON FREDA SZKLAROWSKY
CADEIRA - 36
Academia de Letras e Música do Brasil - ALMUB
PATRONO - GILBERTO FREIRE

León Freida Szklarowsky nasceu em 9 de outubro de 1933. Formado em Direito pelas Arcadas, na Turma de 1959, foi presidente da Comissão de Mediação e Arbitragem do Instituto dos Advogados do Distrito Federal, presidente da Comissão de Mediação e Arbitragem da OAB/DF, membro da Comissão de Arbitragem da OAB nacional e diretor secretário do Instituto dos Advogados do Distrito Federal. Autor de vários artigos, também foi professor de Direito Público e Civil.
Membro da Academia de Letras e Música do Brasil - ALMUB.

Faleceu aos 77 anos, o professor, jurista, escritor e jornalista Leon Frejda Szklarowsky.
Fonte da informação:

https://www.migalhas.com.br/quentes/138002/falece-o-professor--jurista-e-escritor-leon-frejda-szklarowsky.

 

Originalmente publicado em:

MEIRELUCE FERNANDES DA SILVA  - Antologia: versos e prosa.  Brasília: Thesaurus, 2005.  118 p.  ISBN 85-7062467-0


NOITE DE PARTIDA

Minh´alma em delírio,
Caminha incessante.
Buscando a atenuante,
Que  a tire do martírio.

Vai, amor, vai,
Antes que a noite caia,
À procura da felicidade,
Que só traz a saudade.

Triste partida a tua!
Vagos só na rua,
Contemplando a lua.

Se voltares, algum dia,
Ver-me-ás na noite fria,
Perdido na cruel agonia.


BAILADO DE GIGANTES

Os elementos bailam em fúria desvairada.

Antes: cidade adormecida. Agora toda violentada.
Casas, bares, luzes, alegria, tudo esquecido.
Verdes, vermelhos, lilases, tudo perdido.

Felizes, pequeninos pássaros cantam.
Crianças, medrosas, assustadas, choram.
Momentos de desespero, compaixão e misérias.
Um pensamento: castigo de Deus. Coisa séria.

Visão fantasmagóricas. Tudo escuro.
Homem e natureza. Luta vulcânica.
De súbito, tudo calmo. Só sussurro.

A cidade levou-se nos prantos da natureza.
Os homens fiaram-se na luta passageira.
Por que não? Havia de voltar a paz terrena.


A VIDA HUMANA

      O bem mais precioso do universo é a vida. E o homem, sem dúvida. Mas os bens mais preciosos do homem constituem o amor e a amizade, a relação ser humano — ser humano, seu maior capital.
       Quando a vida humana, bem mais precioso entre todos os demais, nada mais vale, é sinal de que o homem deve parar e fazer profunda reflexão, porque chegou ao fundo do abismo e há que se repensar o sentido de todas as coisas!
        Não si se devo parar ou continuar.
        Não si se é grave a indagação que me faço.
        Não sei por onde começa ou terminar.
         Não sei mais que fazer.
         Não sei se ainda tenho esperança de que um dia o ser humano acorde deste pesadelo.
         Não sei porque ainda me indago, se tudo em volta está ensangüentado.
         Não sei porque fico a pensar em tudo isto, se o ser humano nada mais vale.
         Não sei se a vida ainda tem um peso específico entre seres viventes.
         É triste olhar em volta e enxergar tudo escuro, breu.
         É triste não mais encontrar a solidariedade, o amor e a alegria de viver.
         É triste perceber que o homem deixou para trás o encanto de ser.
         É triste saber que em toda parte as pessoas não mais se querem.
         É triste, muito triste, olhar em volta e só ouvir gritos de dor daqueles que nada têm, nada podem, nada vivem.
         É triste, sim, quando uma pobre mãe, acompanhada de seu maior tesouro, sua filha, recebe um tiro perdido e se vai para sempre.
          É triste saber que um Biggs, criminoso confesso, recebe da mídia toda cobertura e proteção.
          É triste saber que criminosos inveterados recebem o aconchego que suas vítimas não têm.
          Sei que não me importo mais com os seres malditos, de toda parte, que furtam, roubam, menosprezam o seu semelhante.
           Sei que não me preocupo mais com os bens que me tiram.
           Sei que tudo isto não tem a menor valia.
           Sei que vida, esta sim, é o bem mais valioso do universo.
           Sei que é infinitamente difícil pensar em tudo sem uma tênue esperança.
             Será que um dia acordarei num mundo do faz-de-conta?
             Será que aprenderemos que a vida tem uma razão de ser!
             Será que a grande humanidade, boa e simples, terá vez?
             Será que este ser único no universo de tantas coisas poderá usufruir do bem maior, que é a felicidade?
             Será que a criança de hoje se transformará no homem bom de amanhã?
             Oh, meu Deus, porque seus filhos na Terra não aprendem que é melhor viver em paz?
             Oh, meu Deus, até quando continuará sua celebração dantesca e de delírio?
              Oh, meu Deus, será que um dia poderei acordar num mundo celestial?
               É, meu bom compadre, acreditemos que sim.
               É, meu bom amigo e amiga, oremos que tudo mude.
               É, meu bom irmão e irmã, com certeza, algo diferente acontecerá.
               É, minha fraterna companheira de todos os sonhos. Deus há de olhar e se apiedar dos bons e diletos filhos da Terra e do Universo.
               Não, não temamos ninguém.
               Não, não percamos a esperança.
               Não, não deixemos que nos tirem nem nos quebrem o frasco da ilusão.

*
Página publicada em outubro de 2026.

 

 

 
 
 
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